domingo, 15 de abril de 2007

o que dói

O que dói é perceber que mesmo quando a ferida para de doer,
para de sangrar, fica a cicatriz... fica a marca que não sai por mais que você queira... e a cicatriz sempre traz a lembrança da ferida que fechou.
Então você se dá conta de que não dá mais para esquecer, que aquilo está gravado na sua pele, essa alteração vai permanecer no seu corpo durante toda a sua vida.
É quando você se dá conta de que nunca mais será a mesma pessoa...
A partir daí você tem duas opções: olhar para a cicatriz e sentir tranqüilidade por uma lição que você aprendeu ou olhar e ver apenas a lembrança da dor que a ferida te causou, reviver a dor gerando sofrimento.
O que dói é que se sobrevive...
Sobrevive-se à decepção, à dor, à tristeza...
O que dói é perceber que tudo já passou... tudo já é passado.
O que dói é perceber que se acostuma à falta... que nos adaptamos à realidade.
O que dói é perceber que a crise de abstinência passa e sem ela é o vazio da ausência.
Mas se no momento em que a solidão surgir tivermos a capacidade de aproveitá-la, poderá ser uma experiência proveitosa.
Ressurgir desse princípio que é a solidão.
Ressurgir com novos parâmetros, novas medidas, novas prioridades, novas chances permitidas, novas vontades, novos valores, novos desejos.
É preciso ter forças para não sucumbir no primeiro instante em que tudo parece ter se distanciado, em que o chão parece se mover debaixo dos seus pés.
O que dói finalmente é não aceitar que tudo passa.

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