domingo, 15 de abril de 2007

sensibilidade

Será que somos capazes de uma tal delicadeza que consiga
escutar o que é incapaz, impossível, de ser traduzido por palavras?
será que somos capazes de entender o que há no silêncio?
será que somos capazes de perceber os pensamentos que a outra pessoa possui?
será que somos sensíveis o suficiente para perceber
os sentimentos que a outra pessoa não exterioriza?
sensibilidade suficiente para conseguir compreender
o outro sem a necessidade de perguntar o que se sente?
é preciso estar disposto a se tornar sensível
para aprender a lidar com delicadeza com o sentimento dos outros.

hoje

Hoje eu só quero estar ao teu lado,
sentir tua pele, teu beijo, teu calor,
passar a mão em teus cabelos,
dar-te um beijo enquanto dormes tão docemente.
Hoje eu só quero estar ao teu lado,
te ver sorrir, te abraçar, sentir o ritmo do teu coração,
observar-te fazendo auilo que gostas.
E mais um dia se vai,
eu sem me importar com o que acontece lá fora.
A vida para mim está acontecendo aqui dentro.
Eu te amo.
Chego mais uma vez à conclusão de que eu te amo.
E isso me faz rir.
Parece que estamos sempre acabando de nos encontrar, de nos reencontrar.

sonhos

E quando você é tomado por um sonho
e se sente incapaz de desistir deste sonho
por mais distante e difícil que pareça em alguns momentos?
E quando você sente que se desistir de um sonho
sua vida perde o sentido,
que poderia simplesmente perder o rumo?
Você já está tão envolvido por essa vontade,
por essa idéia, por essa possibilidade do sonho se concretizar,
que você enfrenta as dificuldades,
supera obstáculos, acredita que vale a pena seguir em frente.
É a vontade de viver esse sonho que te impulsiona,
que te faz atravessar os momentos difíceis com a maior serenidade possível.
Você acorda e vai dormir pensando nesse sonho,
procurando maneiras de fazer
com que esse sonho se realize o quanto antes.

Ás vezes

Às vezes me perco pensando
nos rumos que minha vida poderia ter tomado.
Ponho-me a imaginar o que teria acontecido
se eu tivesse escolhido os outros caminhos da encruzilhada.
Outras árvores, outras pedras, outras pontes,
outros acontecimentos, outras dificuldades
(ou seriam as mesmas?), outras realizações,
outros sonhos, outras vozes, outras realidades,
outras pessoas, outros encontros, e, no fim, a única constante sou eu.
Eu presa a mim sem ter a quem me entregar
quando me canso de ser eu.
Que mais eu faria?
Que questões eu me faria independentemente de mudanças?
Eu chegaria às mesmas conclusões mais cedo ou mais tarde?
Qual a diferença de ser mais cedo ou mais tarde?

o que dói

O que dói é perceber que mesmo quando a ferida para de doer,
para de sangrar, fica a cicatriz... fica a marca que não sai por mais que você queira... e a cicatriz sempre traz a lembrança da ferida que fechou.
Então você se dá conta de que não dá mais para esquecer, que aquilo está gravado na sua pele, essa alteração vai permanecer no seu corpo durante toda a sua vida.
É quando você se dá conta de que nunca mais será a mesma pessoa...
A partir daí você tem duas opções: olhar para a cicatriz e sentir tranqüilidade por uma lição que você aprendeu ou olhar e ver apenas a lembrança da dor que a ferida te causou, reviver a dor gerando sofrimento.
O que dói é que se sobrevive...
Sobrevive-se à decepção, à dor, à tristeza...
O que dói é perceber que tudo já passou... tudo já é passado.
O que dói é perceber que se acostuma à falta... que nos adaptamos à realidade.
O que dói é perceber que a crise de abstinência passa e sem ela é o vazio da ausência.
Mas se no momento em que a solidão surgir tivermos a capacidade de aproveitá-la, poderá ser uma experiência proveitosa.
Ressurgir desse princípio que é a solidão.
Ressurgir com novos parâmetros, novas medidas, novas prioridades, novas chances permitidas, novas vontades, novos valores, novos desejos.
É preciso ter forças para não sucumbir no primeiro instante em que tudo parece ter se distanciado, em que o chão parece se mover debaixo dos seus pés.
O que dói finalmente é não aceitar que tudo passa.

caminhos

As pessoas geralmente evitam pensar em como tudo
é tão frágil, passageiro, efêmero.
As pessoas às vezes preferem se esquecer das despedidas.
Estamos submersos na vida, submetidos às suas leis
nem sempre claras e nítidas.
Cada pessoa segue seu próprio rumo.
Segue o caminho feito por suas escolhas, suas omissões,
suas ações,suas recusas, seus instintos, seus princípios.
O que ela faz com o que lhe acontece é
o que determina o rumo a tomar.
E é assim que as pessoas se encontram, se afastam, perdem-se de vista,
Se entendem, se desentendem, cansam, tentam,
continuam, param, dão mais uma chance.

Alimento

Só o que alimentamos ganha força
para continuar a viver.
Tudo precisa de alimento, de energia para ter forças.
É assim com relacionamentos,com sentimentos, com pensamentos.
É assim com o amor,é assim com amizade, com o ódio,
com a alegria,com a paz, com a tristeza, com a inveja,
com o ciúme, com a posse, com a ilusão,com o medo,
com a insegurança, com a sabedoria, com a ignorância,
com os hábitos.
Só ganha força aquilo em que colocamos
o nosso poder, a nossa energia.
Como em um jardim: as plantas bem cuidadas
crescem cheias de vigor, fortes, saudáveis;
as que não nos dedicamos, não colocamos nossas mãos nelas,
não prestamos a devida atenção,não crescem,
elas murcham, minguam, morrem, de inanição.